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Cada vez mais mulheres escolhem a Engenharia como profissão e conquistam aos poucos seu espaço, trabalhando em parceria com os profissionais do sexo masculino.

Mas essas conquistas ainda vêm acompanhadas de muitos desafios, como a condução com sucesso e responsabilidade de uma dupla jornada, já que muitas dessas engenheiras são esposas e mães, além de atuarem em cargos de liderança, conforme explica a engenheira Ester Feche Guimarães, associada e membro da Diretoria da ABES-SP. “As empresas de engenharia têm, em média, 20% de mulheres em seu corpo técnico. Até 20% dos cargos de média gerência em áreas de gestão e centros de pesquisa são ocupados por mulheres, mas somente 3% delas ascendem ao primeiro escalão, muitas vezes por política de relacionamento”, afirma.

Para ela, o reconhecimento na Engenharia ocorre com poucas mulheres. “Não é de estranhar que os temas do dia da mulher não levem as profissionais aos auditórios. Eles não afetam suas vivências. Nesse sentido, merece uma reflexão, em qual paradigma as empresas estão se apoiando para fazer avaliação e escolha de profissionais igualmente competentes, mas que veladamente são excluídas de um espaço de disputa. A essas mulheres profissionais, que competem dia-a-dia em igualdade de atribuições, formadoras de opinião, éticas e influenciadoras, mas nem sempre reconhecidas por suas contribuições à engenharia, digo que ainda há uma longa jornada pela frente, mas miopia corporativa não as torna cidadãs de segunda categoria”, ressalta.

Para a engenheira Roseane Garcia Lopes de Souza, que também faz parte da Diretoria da ABES-SP, apesar de ainda existirem muitos desafios para as mulheres nesta profissão, as dificuldades estão diminuindo. “Devido as minhas antecessoras, desde 1908, em vários pontos do mundo, terem bravamente lutado pela conquista de direitos iguais, pela não violência sexual e tantos outros assuntos ligados à valorização da mulher; quando iniciei minha faculdade, em 1979, foi mais fácil. Embora naquela época ser aluna de Engenharia era conviver com 90% de colegas homens. No entanto, isto me fez crescer, pois tinha que provar continuamente para meus colegas e professores engenheiros a competência da mulher. Por outro lado, o fator protecionismo dos colegas homens para com as colegas de sala era muito forte, o que de certa maneira me parecia saudável.”

Roseane ainda completa que, apesar de ser muitas vezes complicado conciliar a profissão com suas outras atividades pessoais, além de seu papel de mãe, ela se sente plenamente satisfeita com o que faz. “Ser engenheira, mãe, colega, profissional da Secretaria de Estado da Saúde, participante da ABES e colaboradora do Centro de Apoio à Faculdade de Saúde Pública de São Paulo me faz sentir viva e sempre com novos desafios nas várias frentes de trabalho.”

A engenheira Virgínia Sodré, Diretora Técnica da InfinityTech, que já acumula mais de 16 anos de experiência na área de Engenharia e Consultoria Ambiental, também falou sobre a sua experiência. “Felizmente minhas experiências profissionais foram muito positivas nessa área, os meus colegas engenheiros sempre me apoiaram e me ajudaram muito no desenvolvimento do meu trabalho. Quando tive minha primeira filha trabalhava na Degremont e recebi todo o suporte necessário da empresa. Isso foi bem no início da minha carreira e me deu muito conforto e motivação, por acreditar que existem empresas que valorizam a mulher e a maternidade, além de me motivar a continuar no mercado de trabalho e conciliar o desafio de ter dois filhos e gerenciar casa, família e trabalho. Não tenho dúvidas que a escolhi a profissão correta e devo muito a engenharia minhas conquistas profissionais.”

Virgínia ressalta o papel muito importante que a mulher exerce na Engenharia. “Somos mais detalhistas e nos preocupamos com o conteúdo em conjunto com a forma. Não que os homens não tenham essas qualidades mais temos essas características de forma mais natural. Temos uma capacidade de executar tarefas diferentes ao mesmo tempo, isso nos dar uma boa capacidade de gestão. Atividade muito significante para área”, finaliza.

Fonte: ABES-SP