Por: Guilherme Martins/ EL PAÍS.

Parcerias entre setores públicos e privados, compartilhamento de infraestrutura e sustentabilidade são algumas formas de ampliar o serviço no século XXI.

A greve dos caminhoneiros em maio deu novo fôlego às discussões sobre as estratégias de infraestrutura praticadas no Brasil desde os anos 1960, nas quais se priorizou o transporte via rodovias, ainda mais popularizado pelo acesso ao crédito destinado à compra de caminhões no início dos anos 2000.

Da mesma forma, foi o “apagão” entre 2001 e 2002 que motivou investimentos mais sólidos em infraestrutura elétrica levando o Brasil a ser autossuficiente na área, apesar de ainda precisar diversificar suas fontes de energia, hoje primariamente hidrelétricas. O crescimento da população brasileira, da economia e dos investimentos traz a necessidade de apostas em infraestrutura que comporte a crescente demanda doméstica, industrial e as exportações, além de todos os serviços oferecidos à população.

Embora as necessidades de investimentos em infraestrutura pública variem entre países e setores, em muitos casos fica claro que os recursos públicos talvez não sejam suficientes. Ainda que a infraestrutura pública na América Latina e Caribe continue financiada, em grande parte, pelo setor público, ainda há bastante espaço para financiamento do setor privado, como aponta o estudo “Financiamento Privado de Infraestruturas Públicas através de PPPs na América Latina e Caribe”, do Banco Mundial. Mas como garantir que tenhamos mais investimento, melhor infraestrutura e uma melhoria do serviço ao mesmo tempo?

Compartilhamento de infraestruturas

Os altos investimentos em infraestrutura feitos no passado e expandidos hoje podem trazer mais benefícios que o previsto – e certamente trazem. Novas formas de utilizar as mesmas estruturas? aliam a inteligência e o melhor entendimento de padrões e dados para otimizar a eficácia, a rentabilidade e a economia, além de promover uma divisão de custos entre empresas que torna a exploração da infraestrutura mais viável.

No caso de estruturas robustas, a implementação não é fácil. A demanda, por outro lado, é alta. Esse cenário facilitou o compartilhamento de infraestruturas. O setor digital em crescente demanda, por exemplo, pode compartilhar estruturas de usinas geradoras de energia – fibra ótica, cabos – para melhorar ou expandir os serviços oferecidos, que de outra forma seria difícil financiar.

No final de 2017, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou um novo regulamento para incentivar o compartilhamento de infraestruturas pelo setor de telefonia. O documento permite que a empresa compartilhe apenas a capacidade ociosa da infraestrutura, e a oferta pública do preço se tornará oferta de referência apenas para as operadoras que forem declaradas com Poder de Mercado Significativo (PMS) pela Anatel.

Ao mesmo tempo que a empresa detentora da infraestrutura lucra, diminui-se o eventual desperdício, cria-se oportunidades e uma nova clientela. Os custos também são compartilhados, em uma relação comercial benéfica a todos, apesar da prática ainda engatinhar no setor privado brasileiro.

Infraestrutura sustentável

Não basta fazer melhor uso das infraestruturas existentes ou criar parcerias que envolvam o setor público. Tanto o setor privado quanto o público precisam expandir suas opções de investimento em infraestrutura. Há uma valorização e barateamento de novas infraestruturas alinhadas às práticas sustentáveis, que reduzem gastos e aumentam o impacto do resultado final.

Exemplos de sucesso já podem ser vistos no Brasil. “Em conjunto com várias iniciativas no setor social e iluminação pública, o município de Belo Horizonte focou-se na PPP da Estação Barreiro, um desenvolvimento (projeto??) orientado para o trânsito para um terminal de ônibus que atende 79.000 passageiros por dia. Na Bahia, mecanismos de garantia dupla ajudaram a encorpar os parceiros de PPP que são pagos no prazo”, exemplifica Grégoire Gauthier, especialista em Transporte e Desenvolvimento do Banco Mundial, em seu blog.

A infraestrutura deve ser vista com novos olhos pelos setores público e privado, considerando o impacto social, a sustentabilidade, as parcerias e o compartilhamento de forma a ampliar negócios, ao invés de restringi-los. Novos modelos comprovam a eficácia de uma nova forma de pensar a infraestrutura, com o objetivo de aproveitar ao máximo as construções existentes e as futuras.

Fonte: https://bit.ly/2RjeSJa.